quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pupila

Não sei se viu
Mas eu sei
Que quando eu te olhei
Minha pupila dilatou

Eu não reparei
O quanto tempo passei
Olhando nos seus olhos
Todo o tempo que falou

Enquanto eu contemplei
Eu encarei
Todos me assistiam
Nem vi se alguém se importou

Te procurei
Te encontrei
E percebi
Que nada mudou

Me fascinei
Nem pensei
Você estava com outra
Em cada foto que tirou

Ainda divisei
E notei
Como estava feliz
Com esse seu amor

Apenas me arrisquei
Mas ainda assim respeitei
Precisava te contar
Aquilo que se passou

Então me afastei
E guardei
Tudo o que eu pensava
Quando seu olhar me balançou

domingo, 15 de outubro de 2017

Despedida

Quando eu morrer
Meus olhos âmbar
Morrerão comigo

Se você aprecia o brilho deles
Quando encontro meus olhos aos seus
Não perca eles de vista

Quando eu morrer
Meu sorriso será apagado
Lástima que me corroe por dentro

Não daremos mais risadas juntos
Com esses nossos corpos
Sequer sei se te encontro na outra vida
Por isso sorria

Sorria sempre que quiser me ver
Sorrindo para você
E não perca as memórias da alegria

Quando eu morrer
Eu não vou poder te levar comigo aonde eu for
Porque eu nem sei para onde irei
Eu vou ter medo e não terei
Para segurar a minha mão

Por isso, toda vez que me ver
Segure firme minha mão, com vontade
Para que na passagem
Eu me recorde desses momentos e tenha coragem

Quando eu morrer
Não sei se estaremos perto
Se estaremos longe
Se vamos nos ver todos os dias
Ou se teremos passado anos sem termos nos encontrado

Quando me encontrar novamente me abrace
Para que fique o carinho do encontro e da despedida
Lembre-se dos dois ao mesmo tempo
Para que valorize minha companhia

Quando alguém que você ama morrer
Você passará pelas mesmas questões acima
Repita tudo que eu disse e guarde cada linha
Aproveite cada momento
Com quem pode ir embora a qualquer dia

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Memória (O jeito certo)

Enquanto você me olha
Eu me perco no seu sorriso
E parece que está tudo tranquilo
Me envolve com seu abraço
E parece que estou em casa
Me deixa as saudades
E fico triste, incomodada
Respeito seu espaço
Porque é importante te ver bem
Mas fica na memória
Aquele dia deitadas
Na sua cama, de madrugada
Quando você virou de lado
E encaixou seus pés aos meus
E descobri o jeito certo de dormir

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sexo

Já não tem mais a importância dos vinte anos
Já não faço mais uma noite inteira de planos
Já não conquisto com a necessidade de antes
Aquilo que era animal, incessante
Hoje é sequer o complemento de qualquer relação envolvente

O toque no entanto é algo mais prazeroso que o orgasmo
Não digo qualquer toque, não é carinho de amigo
É aquele intenso, carregado de desejo
O desejo de estar além desse mundo

É aquele abraço que envolve e protege
Mas não como o dos pais que te cuidam
Mas como o universo te dizendo
Que aquele espaço seguro é seu

É um múltiplo gozar da alma
É largar-se perdidamente naquele afagar
E sentir-se dono da eternidade nos poucos minutos que duram
É deixar-se inteiramente descansar

Aquela entrega divina
Entre quem ama e quem se doa
Aquele parear de energias
Aquela corrente contínua
Aquele dançar dos dedos
Entre o rosto e o cabelo
Aquela sensação de calor gostoso
Que aquece mais que qualquer encontro de corpos