domingo, 6 de dezembro de 2015

rien de rien

Você nunca foi nada para mim

Existem vários tipos de passado
E existem vários tipos de presente

No passado do atual presente
Você nunca foi nada para mim

Nem meu amigo
Nem minha amiga
Nem meu amor
Nem minha família
Nada

E absolutamente

Nada
Você se tornou
Se metamorfoseou em pó
de matéria invisível

E de matéria invisível
você se tornou matéria inexistente

E hoje, no presente
Você inexiste para mim.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Carta para minha pele de trinta anos

Eu não sei que idade eu tenho, mas minha pele tem trinta anos. Meus ossos, meus órgãos e músculos também tem essa idade.
Eu não. Tem dias que eu posso jurar ter quase oitenta pela disposição de sair, ou melhor dizendo, pela falta de disposição mesmo.
Mas minha pele está aqui, contando para mim as horas que se passaram. Ainda sou jovem, ainda estou viva. Temos trinta anos somente.

No entanto, tem dias que me sinto tão curiosa e despreparada pra vida, que se me perguntarem vou dizer que tenho apenas cinco e absolutamente cinco de idade mental, mas minha pele vai gritar comigo: "Temos trinta, sua velha." E eu vou cair numa tristeza absurda por acreditar que não posso cometer tantos erros como quando eu tinha cinco.

E minha idade chega variando em até quinhentos anos mais velha, mas minha pele fica ali o tempo todo retrucando meu tempo.

Minha pele mente.

Tenho a idade que eu bem entender. Se eu fechar os olhos, nem ouvirei minha pele me condenando. Claro que os órgãos me atentam as vezes, mas nada é tão chato igual o maior deles. Maior órgão e mais reclamão!

Pois digo a você, pele de trinta anos, que mesmo quando você tiver cem anos, vou ter dezoito se eu quiser.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Honestamente

Você está morrendo e ninguém vê
Quando se assusta não há mais saída
A dor que te sufoca
Já se tornou melhor amiga
A paz que surgiu foi do enterro da sua alma

Ninguém se importa realmente
Se você está doente
Se esse vazio na sua vida
Te impede de viver
As pessoas não querem saber

Ninguém vai atrás de você
Irão no seu velório
E vão chorar a perda de nada
Porque nada fizeram
E nada queriam fazer

Importa mais uma dor na cabeça
Do que a dor que a cabeça carrega
Importa mais um corpo com febre
Do que uma infecção de pensamentos ruins
E você se afunda cada vez mais

E ninguém quer te salvar
Porque são todos vazios da verdade e cheios de si mesmo
E a realidade é que
todos vão ser velados com falsas lágrimas
De pessoas que nunca se importaram sequer uma vez

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Shhh!

Eu fujo
Tenho medo
Passo dias de solidão
Crio outra realidade
Por que não?

Eu gosto de ficar quieta
Calada e na minha
Mas gosto da companhia
Quando não invade meu espaço
Gosto de ficar livre, dentro do meu pedaço de vida

Me deixa ou fica
Mas se ficar não me impeça
De ter um momento meu

Shhh! Estou ouvindo o silêncio
Ou uma tentativa de ouvir meus pensamentos
Resolvendo meus problemas por mim
Shhh! Tem barulhos de qualquer coisa eu sei
Mas nada que me desconcentre
Shhh! Quero a paz de um sábio budista nesse momento

Estou fugindo para dentro de mim
Shhh! E vou ficar assim
Por quanto tempo eu bem entender